segunda-feira, 6 de julho de 2009

Novo Membro

O Gian Luca é um dos meus melhores amigos e é simplismente um dos meus maiores mentores na minha paixão por cinema clássico. Ele faz Letras - Inglês - na UFES (Universidade Federal do Espirito Santo) e postará algumas de suas críticas aqui no sincecinematographe comigo.

sexta-feira, 26 de junho de 2009

A Noviça Rebelde (The Sound Of Music) - 1965

Os Alpes austríacos servem de cenário para esse encantador musical. Pouco antes da invasão nazista na Áustria, uma jovem noviça vai trabalhar de governanta na casa de um rígido ex-capitão da marinha, viúvo e com sete filhos. Os filhos do capitão Von Trapp são mantidos quase que em uma ditadura exercida pelo pai e para chamar um pouco de atenção as crianças costumam ser impossíveis com as governantas. No entanto, a chegada da “noviça rebelde” trará um pouco de alegria e muita música para as crianças, além de amolecer o coração de seu pai.

“The Sound Of Music” foi um dos musicais mais famosos e rentáveis da Broadway. A adaptação para o cinema foi dirigida por Robert Wise. Não podemos esquecer da dupla de compositores Richard Rodgers e Oscar Hammerstein que criaram as inesquecíveis musicas da peça e produziram o filme. A história da noviça é baseada em fatos reais, e a verdadeira Maria chega a aparecer como figurante no filme.

Julie Andrews é a protagonista da história. Sua voz, sua dança e sua performance realmente são o que chamam de ameaça tripla.Conseguimos nos emocionar desde a primeira cena: a filmagem de longe das montanhas e a chegada dessa exuberante noviça que canta por amor ao som da musica.

As crianças Von Trapp também merecem destaque no filme. Souberam atuar de uma forma natural e inocente, é claro que a maior parte dos créditos por isso é do diretor. Imprevistos como queda de dentes e o crescimento além do esperado de um dos meninos (como eles ficavam em ordem de tamanho, no final do filme o segundo da fila estava maior que a primeira, desse modo ele tinha que se abaixar um pouco quando ficava do lado dela no final das filmagens) fizeram parte das filmagens.

Acredito que a parte Nazista do filme serviu como a cereja do bolo. Sem esse detalhe o filme seria provavelmente menosprezado pela Academia, como é até hoje com diversos musicais merecedores da estatueta. Ganhador de cinco Oscars, inclusive melhor filme, “A Noviça Rebelde” está na prateleira de qualquer colecionador e apaixonado por musicais, inclusive na minha!

sexta-feira, 12 de junho de 2009

Edith Head

Pegando o gancho de Hitchcock, vou fazer um breve resumo sobre uma estilista que trabalhou exaustivamente na grande maioria dos filmes do tio Hitch. Edith Head foi com toda a certeza a maior estilista da história do cinema. Ela nasceu em Nevada, mas logo se mudou para Califórnia. Foi professora de Francês durante anos em algumas universidades americanas e tomava aulas de arte a noite.

Em 1924, apesar da falta de experiência no mundo da moda, foi contratada como desenhista de roupas pela Paramount Pictures. Ela começou desenhando vestidos para filmes mudos, e em 1930 já era uma das mais conhecidas estilistas de Hollywood. Em 1967 abandonou a Paramounts, pela qual trabalhou 44 anos, e passou a trabalhar para a Universal. Durante sua carreira foi indicada 35 vezes ao oscar de melhor figurino, inclusive todos os anos entre 1948 e 1966. Ganhou 8 vezes a estatueta.

Edith Head foi um ícone no mundo da moda e até hoje inspira centenas de estilistas. A graça e glamour que Hollywood tivera durante seus anos de ouro devem muito a essa fabulosa estilista.

Uma curiosidade: Na animação da Pixar “Os Incríveis” a divertida estilista Edna Moda é uma provável personificação de Edith Head. Os óculos redondos e a baixa estatura da estilista provavelmente serviram de inspiração para essa simpática personagem.

Abaixo, Três de suas obras de arte na década de 50:

(Bette Davis - A Malvada - 1950)
(Liz Taylor - Um Lugar ao Sol - 1951)
(Audrey Hepburn - A Princesa e o Plebeu - 1953)

sábado, 6 de junho de 2009

Alfred Hitchcock

Loiras Frias: "Verdadeiras damas, que se tornam prostitutas entre quatro paredes"

Nascido no leste londrino e educado por jesuítas, Hitchcock entrou na indústria do cinema em 1920 como desenhista de legendas de filmes mudos, mas logo se tornou diretor de arte, roteirista e diretor assistente. Fez nove filmes mudos, entre eles “o pensionista” (1926), o primeiro com a sua marca: a breve aparição na frente da câmera.

Após a chegada do som, o britânico soube dominar a nova tecnologia, e em 1940 foi convidado por David Selznick à Hollywood para dirigir a adaptação da obra de du Maurier: Rebbeca, a mulher inesquecível. Na minha opinião, este filme está no TOP 3 de Hitch. A trama conta a história de uma jovem assistente de socialite que se apaixona por um homem extremamente rico. A jovem se casa com o milionário e vai morar em sua mansão. No entanto, o espectro da falecida primeira esposa do homem, Rebbeca, atormenta a vida da mulher a ponto de segredos de seu marido serem revelados ao longo do filme. A película foi consagrada com a estatueta da academia e Hitchcock se transformou em um dos diretores mais promissores de Hollywood.

Numa época em que os estúdios controlavam os atores e diretores, Hitchcock foi o pioneiro na independência de contrato. Dessa forma, ele escolhia os filmes que iria dirigir e para quem iria trabalhar. Em 1954, Hitchcock dirigiu Janela Indiscreta, onde um fotógrafo (James Stewart), observa seus vizinhos do prédio da frente com um binóculo. Seu par romântico no filme é a “imaculada” princesa Grace Kelly. O mais interessante desse filme, a meu ver, foi o set. Hitchcock destruiu o subsolo de um estúdio para construir o prédio da frente do fotógrafo, desse modo, ele conseguiria um ângulo tal que daria para filmar o prédio por inteiro.

Um corpo que cai, é um dos filmes mais questionados de Hitch. Alguns julgam o final um tanto quanto idiota, mas eu o considero uma obra prima. A Vertigem é abordada de um modo tão real, com cenas de alturas e de homens caindo em ângulos nunca antes visto. James Stewart é novamente o seu protagonista e a loira da vez é a irresistível Kim Novak.

Em 1960, Hitchcock atingiria o seu ápice. Psicose é um dos filmes mais lembrados de todos os tempos. Talvez não pelo o nome, mas por uma cena em particular: A morte da protagonista na metade do filme. O som estridente, a cortina rasgada e Vera Miles nua no chuveiro fizeram da cena uma perfeição em técnica, ângulo e atuação. A loira fria, que dessa vez decidiu roubar dinheiro do banco em que trabalha, não tem o tempo de se redimir e acaba sendo morta por um psicopata com um provável complexo de Édipo.

Finalizando os meus filmes preferidos do tio Hitch, quando penso em Os Pássaros eu me lembro da fotografia. As imagens são estonteantes. Uma advogada (Jéssica Tandy) se sente atraída por um cara que conhecera na loja de pássaros. Ela viaja algumas milhas para fazer uma surpresa em sua casa. Budega Bay, um vilarejo de pescadores, nunca seria mais o mesmo, com os estranhos ataques de pássaros desde a chegada da loira tarada. Nesse filme, vemos novamente uma relação estranha entre o personagem principal e sua mãe.

“Sou um diretor tipificado. Se fizesse Cinderela, o público logo procuraria um corpo na carruagem.” Eu provavelmente acrescentaria uma coisa a essa frase: Procuraria também o ator sentindo um cheiro desagradável, pois um fato curioso perturba a minha cabeça e a de um amigo meu, sempre que assistimos a um filme do britânico: suas protagonistas nunca tomam banho. Às vezes passam dias com a mesma roupa, e a única que vemos tomar banho é assassinada. Hitchcock é simplesmente uma aberração psicológica: não só tendo complexo de Édipo, também é sadomasoquista, mais tarado por loiras que a xuxa e ainda tem fetiche por mulher suja. HAHA, é claro que eu estou brincando com a imagem desse magnífico diretor, que com certeza é um dos maiores do século passado e um dos que mais influencia os diretores de nossa época.

domingo, 31 de maio de 2009

A Razão do meu Afeto (The object of my affection) – 1998

Head up Young person!

Eu criei esse blog a priori para escrever sobre todos os filmes que eu via. No entanto, acabei me direcionando aos meus clássicos filmes preferidos. Bom, eu irei continuar falando dos meus filmes preferidos, mas começarei a falar de filmes mais atuais também. O restinho do que há de bom em Hollywood hoje, porque afinal, esse blog também tem o intuito de homenagear essa tão discutida indústria cinematográfica.

Filme pouco conhecido, mas de grande roteiro e fabulosas atuações, A Razão do meu Afeto pode ser considerado uma comédia romântica com um pouco de drama. Pode ser escrito em sua sinopse que discute a amizade, que fala sobre um homossexual que vai morar com uma mulher, que aborda a questão das escolhas ou que simplesmente trata do amor. A produção do filme em si não é lá grandes coisas, fiquei abismado quando soube que gastaram 15 milhões para fazê-lo, mas a história com certeza ficará matutando a sua cabeça e te fará refletir sobre certos assuntos.

Nina (Jennifer Aniston) é uma assistente social que mora no Brooklin, George (Paul Rudd) é um professor de primário que mora com seu extraordinário namorado em Manhattan. Após Joely terminar o namoro com George, este vai morar com Nina, com quem acaba se dando muito bem. Os dois se inscrevem em aulas de danças, conversam sempre e confiam muito um no outro. As cenas das danças são uma clara homenagem a Cantando na Chuva, a música principal do filme é “You were meant for me”, particularmente é a mais bonita do clássico de 52.

Quando Nina descobre que está grávida de seu namorado, Vince, ela pede a George que fique e crie a criança com ela. A principio, George não gosta muito da idéia, mas após ver uma criança jogando bola com o pai numa tarde, ele decide que seria uma boa idéia criar um filho com sua melhor amiga (é um tanto quanto clichê essa parte, mas se pensar bem, até hoje, para um homossexual ter um filho é tanto quanto complicado).

Uma das melhores cenas e, um tanto quanto um choque para mim, é quando Nina e George acabam se beijando e quase transando, se não fosse pelo ex do George ter ligado. A gente consegue sentir que são apenas duas pessoas que se gostam muito e querem fazer a outra feliz. No entanto, a condição de George, provavelmente, o impossibilitaria de continuar com Nina daquela maneira.

Nina acaba se apaixonando por George, e este acaba se apaixonando por Paul, um estudante de teatro que mora com um critico extremamente culto chamado Rodney. Este por sua vez, é apaixonado por Paul. Essa trama é um pouco mais simplória do que aparenta. No entanto, é o que dá nome ao filme por uma frase extremamente verdadeira dita por Rodney a Nina: “Acho que não devemos ser tão severos com nós mesmos se a razão do nosso afeto retribui o carinho com um pouco menos de entusiasmo do que gostaríamos”. É claro que George não fica com Nina, e é esse o ponto chave do filme, que nos faz refletir tanto. Eu não vou ficar me atendo aqui a nenhuma ideologia contra preconceitos ou qualquer coisa assim. Mas é importante observar a condição de alguém destinada por quem você quiser, por Deus, pelo carma ou sei lá, que é tratada com extrema sensibilidade pelo filme.

Concluindo, roteiro impecável, atuações no mesmo nível e reflexões para a vida são o que tornam esse filme um dos poucos novos que me marcaram.

sábado, 30 de maio de 2009

Dr. Jivago (Dr. Zhivago) - 1965


A Revolução Russa nunca fora tratada com tanta sensibilidade!

O diretor David Lean sempre será associado a grandes produções. E grandes produções boas, não grandes produções iguais as de hoje em que gastam milhões com efeitos especiais e esquecem de pagar o roteirista. A Ponte do Rio Kwai, Lawrence da Arábia e Oliver Twist fazem parte do grande curriculo of this brilliant british!

Em 1965, no entanto, Lean alcança o ápice de sua criatividade cinematografica. Uma história de amor em meio a Revolução Russa baseado no romance de Boris Pasternark mistura a sensibilidade do jovem poeta medico Yury Jivago e as conturbações que envolveram antes, durante e depois a Revulação de Outubro.

O filme começa com a suposta filha de Yury, que é procurada pelo irmão do médico, ouvindo a história de seu pai.

órfão ainda quando criança, Yury (Omar Sharif) é levado à Moscou para morar com seus tios. As oportunidades que seus parentes lhe dispõe transformam yury em um médico com grandes possibilidades de sucesso: o casamento meio que arranjado com sua prima Tonya (Geraldine Chaplin) e seu sucesso como jovem poeta nos jornais da Europa tornam a vida do médico quase que perfeita. A história de Yury, no entanto, é traçada com a de Laura (Julie Christie), estudante de medicina, filha de uma costureira pobre, atormentada pelo namorado da mãe e apaixonada por um revolucionário.

O filme é também uma aula de história. Mostra com perfeição de detalhes o "Domingo Sangrento", como ficou conhecido a marcha do povo russo contra o czar que acabou em um massacre sobre a neve. A desistencia do exército russo de lutar na IWW e as condições de moradia em Moscou. Yury e Laura se apaixonam quando os dois trabalham cuidando dos feridos da guerra. Yury, no entanto, engravidara Tonya e tem que voltar para sua casa, que agora divide com mais 20 familias. Quando resolvem mudar para uma casa no campo, Yury reencontra Laura e acaba tendo uma relação extraconjugal durante mais de um ano.
A fotografia do filme tornam-o muito mais prazeroso de ver. O branco da neve mistura-se com o vermelho do sangue nas ruas de Moscou e na metade do filme as flores amarelas em meio ao campo verde tomam conta da tela e nos dão cenas realmente para toda a vida.

Dr. Jivago não é somente recomendável ao cinéfilos, é obrigatório. Acredito que nenhum filme sobre a Revoulução Russa tocará tanto quanto essa novela reproduzida com Perfeição por David Lean nos tocou.

segunda-feira, 11 de maio de 2009

Uma Rua Chamada Pecado (A Streetcar Named Desire) – 1951

“…Plus all the petty laughs, In Tennesse Williams’ plays…”

O trechinho da música “Love is a Bore”, da fabulosa Barbra Streisand, resume um pouco uma das diversas características marcantes do trabalho de um dos maiores dramaturgos da história do cinema: Tenesse Williams. Sim, dramaturgo do cinema, pois Williams ajudou diversas vezes na adaptação de peças suas para o cinema. De repente, no último verão, Gata em Teto de Zinco Quente e Boneca de carne são alguns dos memoráveis filmes que levam sua assinatura.

No entanto, “Uma Rua Chamada Pecado” é considerada a obra mais marcante de Williams e o mais marcante filme de Elia Kazan. Blanche DuBois (Vivien Leigh), uma mulher neurótica e problemática vai visitar sua irmã, Stela (Kim Hunter), em Nova Orleans. Fugida de sua cidade natal após tentar seduzir um menino de 17 anos, Blanche afetará o cotidiano de sua irmã e de seu cunhado, Stanley Kowalski (Marlon Brando), a ponto de separá-los. As brigas do casal são extremamente fortes, e a atuação de Leigh é uma das mais marcantes da história do cinema. Talvez Kazan desperte isso nos atores, o diretor nascido em “Istambul not Constantinopla” (hehe) dirigiu Sindicato de Ladrões, Vidas Amargas e A Luz é para Todos, todos com atuações fantásticas.

Os cenários “naturalistas”, por assim dizer, tornam o filme realista e quente. Toda vez que eu assisto à Uma Rua eu fico com calor. Talvez seja porque o Brando está sempre suado e acaba tirando a camisa por diversas vezes. Por esse motivo, algumas cenas do filme foram censuradas na época, hoje, podemos conferi-las na versão do diretor em dvd. O título original “A Streetcar Named Desire” é uma referência ao bonde que Blanche pega para chegar à casa de sua irmã. No entanto, o título em português foi mudado para “Uma Rua Chamada Pecado” por causa da censura. Essa era uma forma bastante comum na época, como no filme “Peyton Place” que em português foi mudado para “A Caldeira do Diabo”.

O trabalho memorável desses dois artistas ficarão eternizados nas telas e nos livros. Tennesse sempre será lembrado por suas peças com personagens complexos, cenas com “risos insignificantes” e um incômodo reflexivo no final de cada leitura. Elia já está em qualquer lista de melhores diretores da história, planos perfeitos, cenas intrigantes e direção de atores fantásticos como ele. “Uma Rua Chamada Pecado” é o espelho da obra feita com perfeição por esses dois artistas.