segunda-feira, 20 de julho de 2009

Alice

"Mais vale uma Alice Voando, do que mil Alices com o pé no chão"
Este mês a HBO reprisa o seriado Alice que estreou no ano passado aqui no Brasil. A série é tão original, poética, dramática, divertida e simplesmente gostosa de assistir que vale a pena conferir a estréia dessa magnífica atriz: Andréia Horta.

Alice é uma guia de turismo de Palmas, Tocantins. Quando recebe a noticia de que seu pai havia falecido, ela decidi ir à São Paulo para o enterro. Seu noivo, seus amigos e sua família são deixados de lado quando ela descobre os prazeres dessa cidade do pecado. Alice vai morar com sua tia Hippie, Luli (Regina Braga), que tem um relacionamento lésbico com uma antiga amiga. Arruma um emprego em uma agencia de eventos, onde tem a chance de ir para as baladas e festas mais Vips de Sampa.

Ao decorrer do seriado outras histórias são contadas, como a da amiga de Alice, Dani (Luka Omoto), que acaba por ter um relacionamento à três, com seu namorado, Téo (Juliano Cazarré) e sua colega de apartamento, Marcela (Gabrielle Lopez). Drogas, bebidas e várias baladas são mostradas com um ar psicodélico e acredito que foi o que mais chamou a atenção dos jovens pela serie. Vale chamar a atenção para a fotografia, tanto das festas quanto ao mostrar a cidade de São Paulo, que foi homenageada de forma tão intensa pelos produtores.

Lutas de Telecat, sexo quase que explicito e músicas feitas sobre medida fizeram da série uma das melhores produções da HBO. É uma pena que o final do seriado não manteve o nível do começo. Mesmo assim, vale muito a pena acompanhar a saga de Alice, que é uma clara referencia à do País das Maravilhas. Ele reprisará do dia 21 de Julho ao dia 5 de Agosto pelo canal pago.

sexta-feira, 17 de julho de 2009

Quase Famosos (Almost Famous) 2000

''Never take it seriously, If you never take it seriously you never get hurt. If you never get hurt, then you always have fun, and if you ever get lonely you just go to the record store and visit your friends.''

Meu interesse pelos anos 70 americano começou por causa de um seriado transmitido pela Sony chamado That 70’s show. Ele contava a história de seis adolescentes em uma época em que a maconha era o lanche da escola e o Rockn’roll era a trilha sonora. A primeira vez que eu assisti à “Quase Famosos” esse seriado me veio à mente quase que instantaneamente. A fotografia, a história e principalmente as musicas eram uma verdadeira homenagem a essa época extremamente interessante e marcante para a cultura norte americana.

O diretor Cameron Crowe baseou o roteiro em suas próprias memórias quando escrevia para a Rolling Stones sobre a banda Led Zeppelin, aos 15 anos, e participou de parte da turnê da banda. Ele se transpôs ao personagem William Miller (Patrick Fugit), um adolescente de 15 anos, criado por uma mãe solteira, professora universitária e um tanto quanto controversa. Sua irmã, a rebelde da família, ao mudar para São Francisco com o namorado, deixa para William todos os seus álbuns de Rock.

A idolatria de William por bandas como Black Sabbath, Led Zeppelin, The Beach Boys, e outras, o transforma em um jornalista de rock em potencial. Ele conhece Lester Bangs (Philip Seymour Hoffman) – que aliás era um verdadeiro jornalista de rock, ao qual Cameron era amigo – que lhe oferece um trabalho na revista Cream. Seus artigos chamam a atenção da maior revista de rock do país – A Rolling Stones -. William sai em turnê com a banda Stillwater e conhece Penny Lane (Kate Hudson), a personagem mais intrigante do filme. Ela pode ser chamada de Groupie (Fãs de bandas que dormiam com os integrantes), mas ela se considera uma “ajudante da banda”.

O filme não conta apenas com atuações memoráveis, destaque para Kate Hudson e Frances McDormand, que interpreta a histérica mãe de William; mas também com cenas memoráveis. A banda cantando “Tiny Dancer” de Elton John no onibus é simplesmente nostálgica, até mesmo para quem não a conhecia; Kate Hudson derrubando uma lágrima ao ser recriminada por William devido ao seu amor por Russel (guitarrista da banda Stillwater) é inesquecível, ela conseguiu criar uma personagem tão intrigante e esférica que se tornou a capa do filme. E a banda no corredor do aeroporto após a dramática viagem tem de fundo um solo de gaita que dá vontade de ouvir por horas e se lembrar de algo que a gente não viveu.

Já vi criticas sobre o filme recriminando-o devido às drogas e “porra-louquices” que são mostradas. Eu o recrimino em parte por ter pegado tão leve. Mostrar a realidade é a forma mais pura de homenagear algo e foi isso que Quase Famosos nos proporcionou: Respirou o Rock e homenageou os anos 70.

quinta-feira, 9 de julho de 2009

I love Lucy

Mudando um pouco o foco do blog, vou falar do melhor seriado de comedia de todos os tempos. I Love Lucy estreou na CBS em 1951 e ficou no ar até 1957. Teve 180 episódios (incluindo o “Perdido” especial de Natal). Contava a história de um casal de Nova York: Lucy, uma atrapalhada dona de casa que fazia de tudo para entrar no mundo do entretenimento e Ricky, um cantor cubano que trabalhava em um clube de Nova York.

A sitcom foi baseada em um programa de rádio estrelada por Lucille Ball e Richard Denning, chamado “My favorite Husband”. Richard queria interpretar Ricky na versão para TV, no entanto, Lucille queria seu marido, Desi Arnaz, como protagonista da série. Os produtores ficaram preocupados com a reação do público à respeito do casamento “inter-racial” e pelo enorme sotaque de Desi. Para ajudar a decisão dos produtores, Arnaz e Ball fizeram uma peça com a música dele e a comédia dela, que foi aclamada em várias cidades. Por fim, os produtores aceitaram a dupla para a televisão, com a condição de não referirem o nome de Ricky no título. Ficou decidido como “I Love Lucy”, pois Desi sabia que o “I” era ele.

O seriado contava ainda com Vivian Vance e William Frawley, que interpretavam o casal Ethel e Fred. As situações em que Lucy e Ethel se metiam eram sempre as mais engraçadas. Nas ultimas temporadas, Lucy e Ricky tem um filho, o “Little Ricky”, interpretado por Keith Thibodeaux.

Embora o seriado tenha terminado em 1957, o show continuou por mais tres temporadas, com treze especiais de uma hora, rodados de 1957 a 1960, no começo se chamou The Lucille Ball – Desi Arnaz Show e depois retornou com o nome de The Lucy – Desi Comedy Hour.

Ao longo dos anos, o seriado ganhou cinco premios Emmy sendo duas vezes de melhor série de comédia, duas vezes para Lucille Ball e uma vez para Vivian Vance. I Love Lucy é o seriado mais popular dos Estados Unidos, suas cenas memoráveis são ainda hoje lembradas e retratadas por diversas series e filmes. No entanto, é impossivel copiar essa obra de arte. Acredito que jamais rirei tanto quanto rio quando assisto à Lucy.

segunda-feira, 6 de julho de 2009

Meu Amigo Harvey (Harvey) - 1950

[Postado por Gian]
"Meu Amigo Harvey" é uma daquelas comédias típicas dos anos dourados de Hollywood, cheia de carisma e pureza, duas características que certamente não combinam com a maioria das comédias produzidas hoje em dia.

Estrelada pelo formidável James Stewart, a trama nos conta a história de Elwood P. Dowd, um homem que tem um amigo basta peculiar: um coelho gigante de 1.91 de altura chamado Harvey! Ah, um detalhe: esse amigo é puro fruto de sua imaginação.

Dowd mora com sua irmã Veta e sua sobrinha Myrtle, que passam poucas e boas por causa da imaginação fértil dele, chegando a ponto de perderem os seus contatos sociais, e o momento não poderia ser pior por conta da procura incessante de Veta por um marido ideal para sua filha. Cada vez mais elas percebem que Dowd está espantando todas as pessoas de sua casa, e tomam uma decisão drástica: internar o pobre homem.

A partir daí a história toma um rumo bastante inesperado e inevitavelmente hilariante, onde os acontecimentos chegam no limiar do absurdo, mas se tratando de uma comédia dos anos 50, não há nada mais natural. É bastante agradável ver todas as reviravoltas pela qual a trama passa.

James Stewart nos apresenta uma atuação bastante divertida, sem dúvida um dos maiores atores de todos os tempos, ele consegue com proeza nos conquistar com a sua relação com Harvey, chegamos até a acreditar que o coelho realmente existe tamanha a sinceridade em que Dowd o trata, seja nos seus diálogos ou nos seus gestos.

Apesar do tom cômico, 'Harvey' também possui um lado crítico ao mostrar o sanatório para onde Dowd é levado. É claro que tudo é lidado com um certo exagero, mas é clara a crítica em relação ao que realmente difere um 'louco' de um 'normal'. Porque Dowd seria um louco? Afinal, ele não está fazendo mal ao ninguém, ele apenas tem um amigo nada convencional. A cena em que o médico do sanatório pensa que é a sua irmã, Veta, que está louca, é bastante crítica, afinal, Dowd continua na dele, tranquilo e sorridente, enquanto sua irmã entra num estado completamente histérico por causa de Harvey.

Talvez essa crítica do filme não tenha chamado muita atenção para os expectadores daquela época, mas ainda é bastante válida para os dias de hoje. Na cena ótima e bastante crítica em que um taxista, que costuma levar os ditos loucos para o sanatório, diz à Veta que 'os loucos' entram no sanatório de um jeito (simpáticos, gentis e alegres) e depois de injenção de 'cura', saem rabugentos e reclamões, podemos perceber a preocupação que a trama teve em explorar, mesmo de um modo superficial (o que nesse caso era inevitável), as questões que lidam com a linha obscura entre a sanidade e a loucura.

Mas para não acabar viajando demais na maionese, termino aqui dizendo que é uma película bastante agradável, com atores afiados (destaque também para Josephine Hull como a histérica Veta) e uma boa direção. Quem sabe ao final do filme você não vai acabar desejando a companhia do simpático Harvey?

Novo Membro

O Gian Luca é um dos meus melhores amigos e é simplismente um dos meus maiores mentores na minha paixão por cinema clássico. Ele faz Letras - Inglês - na UFES (Universidade Federal do Espirito Santo) e postará algumas de suas críticas aqui no sincecinematographe comigo.

sexta-feira, 26 de junho de 2009

A Noviça Rebelde (The Sound Of Music) - 1965

Os Alpes austríacos servem de cenário para esse encantador musical. Pouco antes da invasão nazista na Áustria, uma jovem noviça vai trabalhar de governanta na casa de um rígido ex-capitão da marinha, viúvo e com sete filhos. Os filhos do capitão Von Trapp são mantidos quase que em uma ditadura exercida pelo pai e para chamar um pouco de atenção as crianças costumam ser impossíveis com as governantas. No entanto, a chegada da “noviça rebelde” trará um pouco de alegria e muita música para as crianças, além de amolecer o coração de seu pai.

“The Sound Of Music” foi um dos musicais mais famosos e rentáveis da Broadway. A adaptação para o cinema foi dirigida por Robert Wise. Não podemos esquecer da dupla de compositores Richard Rodgers e Oscar Hammerstein que criaram as inesquecíveis musicas da peça e produziram o filme. A história da noviça é baseada em fatos reais, e a verdadeira Maria chega a aparecer como figurante no filme.

Julie Andrews é a protagonista da história. Sua voz, sua dança e sua performance realmente são o que chamam de ameaça tripla.Conseguimos nos emocionar desde a primeira cena: a filmagem de longe das montanhas e a chegada dessa exuberante noviça que canta por amor ao som da musica.

As crianças Von Trapp também merecem destaque no filme. Souberam atuar de uma forma natural e inocente, é claro que a maior parte dos créditos por isso é do diretor. Imprevistos como queda de dentes e o crescimento além do esperado de um dos meninos (como eles ficavam em ordem de tamanho, no final do filme o segundo da fila estava maior que a primeira, desse modo ele tinha que se abaixar um pouco quando ficava do lado dela no final das filmagens) fizeram parte das filmagens.

Acredito que a parte Nazista do filme serviu como a cereja do bolo. Sem esse detalhe o filme seria provavelmente menosprezado pela Academia, como é até hoje com diversos musicais merecedores da estatueta. Ganhador de cinco Oscars, inclusive melhor filme, “A Noviça Rebelde” está na prateleira de qualquer colecionador e apaixonado por musicais, inclusive na minha!

sexta-feira, 12 de junho de 2009

Edith Head

Pegando o gancho de Hitchcock, vou fazer um breve resumo sobre uma estilista que trabalhou exaustivamente na grande maioria dos filmes do tio Hitch. Edith Head foi com toda a certeza a maior estilista da história do cinema. Ela nasceu em Nevada, mas logo se mudou para Califórnia. Foi professora de Francês durante anos em algumas universidades americanas e tomava aulas de arte a noite.

Em 1924, apesar da falta de experiência no mundo da moda, foi contratada como desenhista de roupas pela Paramount Pictures. Ela começou desenhando vestidos para filmes mudos, e em 1930 já era uma das mais conhecidas estilistas de Hollywood. Em 1967 abandonou a Paramounts, pela qual trabalhou 44 anos, e passou a trabalhar para a Universal. Durante sua carreira foi indicada 35 vezes ao oscar de melhor figurino, inclusive todos os anos entre 1948 e 1966. Ganhou 8 vezes a estatueta.

Edith Head foi um ícone no mundo da moda e até hoje inspira centenas de estilistas. A graça e glamour que Hollywood tivera durante seus anos de ouro devem muito a essa fabulosa estilista.

Uma curiosidade: Na animação da Pixar “Os Incríveis” a divertida estilista Edna Moda é uma provável personificação de Edith Head. Os óculos redondos e a baixa estatura da estilista provavelmente serviram de inspiração para essa simpática personagem.

Abaixo, Três de suas obras de arte na década de 50:

(Bette Davis - A Malvada - 1950)
(Liz Taylor - Um Lugar ao Sol - 1951)
(Audrey Hepburn - A Princesa e o Plebeu - 1953)